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Junho 22 2011

O portador de osteoartrose pode apresentar uma significante deteriorização de sua qualidade de vida devido à dor e perda de mobilidade.

Profissionalmente, somente doenças cardíacas provocam maior impacto, sendo a osteoartrose responsável por cinco por cento das aposentadorias, segundo pesquisas do Americam College of Rheumatology. Sem o alívio de medicações, fisioterapia e cirurgias correcionais, a osteoartrite em nível avançado pode tornar simples atividades de baixo impacto, até mesmo andar, impossíveis.

Não existe tratamento que promova a cura da osteoartrose ou evitar sua progressão, porém, terapias podem aliviar sua sintomatologia e aumentar significamente a qualidade de vida dos indivíduos acomentidos.

 

Uma vez que identificar o problema, o tratamento é direcionado para melhora das funções dentro dos limites impostos pelo estado das articulações afetadas e pelas necessidades do estilo de vida do paciente. Como sempre, o sucesso do tratamento depende da cooperação e entendimento da pessoa. Instruções sobre correção de postura, repouso adequado em posições corretas, programa gradual de exercícios, seleção e uso apropriado de acessórios, e conselhos dietéticos se houver obesidade, contribuirão para melhor qualidade de vida.

 

 

Objetivos do tratamento:

 

  1. Controlar a dor;
  2. Prevenir lesão ou tensão adicional na articulação afetada;
  3. Melhorar os movimentos;
  4. Melhorar a força muscular;
  5. Manter e melhorar a independência funcional.

 

A cirurgia é indicada quando:

(A-) Dor que não melhora com o tratamento clínico e com as medidas locais.

(B-) Para uma instabilidade articular acentuada (deformidade e subluxação).

 

Os pacientes se apresentam em departamentos de fisioterapia com vários padrões e graus de deterioração das articulações afetadas e  são tratadas de acordo com o estágio de processo degenerativo. Para o tratamento ser efetivo, são essenciais os princípios básicos de avaliação, planejamento, implementação, controle e modificação, acompanhados por reavaliações.

 

A fisioterapia pode ser realizada no hospital, centro de saúde ou atendimento da comunidade. A vantagem de o paciente freqüentar um departamento do hospital é que há disponibilidade de uma ampla gama de tratamentos, inclusive hidroterapia.

 

Os objetivos da fisioterapia são:

  1. Aliviar a dor;
  2. Fortalecer os músculos;
  3. Mobilizar as articulações;
  4. Ensinar a manutenção da excursão dos movimentos da articulação e da potência muscular;
  5. Melhorar a coordenação;
  6. Minimizar a deformidade;
  7. Treinar o sentido de posição para reduzir o estresse postural;
  8. Aconselhar a relação repouso/atividade;
  9. Ajudar na manutenção da função

 

Modalidades Usadas:

 

     São selecionadas, com base na avaliação das necessidades do paciente. Necessariamente, portanto, são numerosas e diversas. Os procedimentos apropriados são os seguintes:

 

  1. Alívio e Controle da Dor: a dor pode ser causada por (1) destruição da cartilagem expondo osso subcondral; (2) osteófitos rompendo o alinhamento sinovial da cápsula articular ou quebrando corpos livres na articulação; ou (3) irritação da articulação ou sujeitando-a a fadigas inaceitáveis, tais como, carregar pesos ou exercícios. As técnicas aplicadas são as seguintes:

 

  • Calor superficial e profundo: radiação infravermelha, bolsa de água quente ou uma compressa quente ou diatermia de ondas curtas podem trazer alívio para os pacientes, especialmente onde há espasmo muscular associado e a dor é exacerbada pelo frio. A compressa quente é mais segura porque o calor começa a uma determinada temperatura e vai esfriando.
  • A terapia com gelo: é útil se houver dor aguda e edema, como pode ocorrer no joelho, quando uma lasca solta de cartilagem fica aprisionada entre as superfícies articulares. Com frequência, há veias varicosas próximo ao joelho osteoartrósico e um coxim adiposo na região medial. Em ambos os casos, não é bom aplicar gelo. O espessamento edematoso crônico não responde à terapia com gelo.

 

  • Tração: a tração das superfícies articulares, manual ou mecânica; intermitente ou contínua, reduzirá a dor aliviando a pressão nas estruturas sensíveis intra-articulares. Reduz o espasmo muscular protetor e isto diminuirá a dor.

 

  • Ultra-som: é útil para tratar o edema crônico porque amolece o líquido e libera o tecido cicatricial, de modo que os exercícios subsequentes podem ser eficientes em reduzir o edema e obter alívio da dor, especialmente a profunda e contínua.

 

  • Interferencial: é usada pelos seus efeitos analgésicos e circulatórios. Pode ser usada na presença de implantes metálicos. Usam-se correntes entre 0-10 Hz para estimular a musculatura que é mais confortável que faradismo. Deve-se ter cuidado para não reduzir a dor e o espasmo muscular protetor ao ponto que o paciente lese adicionalmente as articulações por superatividade.

 

  • Hidroterapia: o calor da água e sua umidade são úteis no alívio da dor particularmente quando as articulações que suportam carga são afetadas.

 

  • Exercícios ativos livres: contribuem para o alívio da dor, assim como as mobilizações para restauração da mobilidade e melhora da circulação.


  • Terapia de grupo: pode proporcionar encorajamento no que se refere à perda de peso, realização de exercícios em casa, monitorização do volume muscular e proporcionar apoio moral que possibilite ao paciente enfrentar a dor.

 

  1. Fortalecimento Muscular: o princípio geral é trabalhar os músculos com uma alta taxa de repetição e contra baixa resistência ou ainda exercícios Isométricos. Os principais músculos que precisam de exercícios de fortalecimento geralmente são os seguintes:

 

  • Quadríceps: em intervalos regulares durante todo o dia, é bom praticar contrações de variação interna mantidas até a contagem de 5. Podem ser realizadas em pé, sentada ou deitada e incorporado às atividades diárias. Para o levantamento de peso, o paciente fica deitado semicurvado, com um peso ligado à perna estendida. São dadas instruções para manter o joelho estendido e levantar a perna até o nível da outra coxa. A seqüência é 10 elevações, repouso, repetir três vezes.

 

  • Abdutores de Quadril: o paciente deita de lado, com a perna que fica embaixo flexionada para dar estabilidade; pode-se ligar um peso à perna, logo acima do tornozelo. O joelho é mantido reto com os artelhos apontando para a frente e a perna é ligeiramente elevada lentamente 10 vezes ao dia.

 

  • Outros Grupos Musculares: os exercícios resistidos são importantes para os músculos de qualquer articulação na qual haja alterações osteoartrósicas. A resistência automanual é útil para certos músculos. Por exemplo. Em posição sentada, um joelho é endireitado contra a resistência de outra perna. Os exercícios com o braço também podem ser resistidos pelo outro braço. A resistência  com mola é útil para certos grupos musculares, como os extensores de cotovelo, extensores ulnares do corpo, músculos grandes dorsais juntamente com os retratores da cintura escapular. As faixas de borracha ou bolas são úteis como peças resistentes para os exercícios da mão.

 

Na piscina de hidroterapia, os exercícios resistidos boiando reforçam grupos musculares selecionados. Os padrões de movimento contra resistência ao fluxo de água (Bad Ragaz) são particularmente úteis para o quadril, joelho, ombro e articulações da coluna vertebral.

 

  1. Mobilidade das Articulações: na realidade, quando as superfícies articulares são destruídas, a mobilidade é restaurada apenas por cirurgia articular. O sucesso da fisioterapia na restauração da mobilidade depende dos fatores limitantes que podem ser:

 

  • Alívio da dor: pode ser obtido pelos métodos já mencionados. Eles incluem exercícios ativos livres, que podem liberar opiáceos endógenos e, assim, aliviar a dor.

 

  • Espessamento por edema crônico: pode ser amolecido e pelo menos parcialmente eliminado através do ultra-som. O amassamento com toda a mão e os dedos e a massagem por deslizamento também podem ajudar. A terapia com correntes interferenciais também pode ser eficiente.

O espasmo muscular é aliviado melhor por contrações repetidas, mantendo e relaxando, e por energia eletromagnética de pulso ou calor radiante. O gelo pode ser apropriado onde há dor aguda e espasmo.

Os músculos mais comumente afetados são adutores e flexores de quadril e extensores da coluna vertebral. As técnicas são manter relaxamento, contrações repetidas, calor, frio e relaxamento.

A tipóia é útil para reassumir os movimentos do quadril, joelho e ombro na presença de dor ou espasmo e também onde há rigidez fibrosa que limita o movimento.

A contratura fibrosa tende a ocorrer nos músculos que produzem deformidade. Ela pode ser tratada com êxito por ultra-som, fricção ou amassamento e estiramento passivo aplicado como um estiramento lento mantido.

 

(A-) Exercícios Ativos Livres: os exercícios sem carga que incluem movimentos pendulares são de particular valor para readquirir o arco de movimento. Eles devem ser realizados diariamente em todas as direções para as articulações afetadas. Exemplos:

 

  • Quadril:

-          Em pé, caminhando para rotação do quadril;

-          Em pé, levantando os joelhos alternadamente, prendendo o joelho e flexionando a seguir até alcançar o tórax;

-          Deitado em uma superfície lisa: deslizar uma perna para o lado e para trás, repetir com a outra perna; rolar as pernas para dentro e para fora;

-          Deitar com inclinação do tronco (elevação e abaixamento pélvico);

-          Sentar aos trancos (tronco inclinado para frente e estirando as costas);

-          Sentar aos trancos (tronco inclinado para o outro lado).

 

  • Joelho:

-          Deitado em uma superfície lisa: flexão e estiramento alternados de joelho e quadril;

-          Sentado em um banco alto: fletir e estender os joelhos com equilíbrio;

-          Sentado: virar os calcanhares para se tocarem e a seguir os artelhos, para se tocarem também.

 

  1. Manutenção do Arco de Movimento e Potência Muscular: todos os pacientes com osteoartrose devem praticar um programa de exercícios destinado a mover as articulações e músculos na execução total de movimento, pelo menos uma vez por dia. A frequência a uma sessão de terapia de grupo de vez em quando encoraja o paciente a praticar. As medidas de excursão artificial, potência e volume muscular devem ser feitas regularmente para identificar qualquer evidência de regressão rápida.

 

  1. Coordenação: As estabilizações em pé ajudam a ganhar co-contração ao redor do quadril, joelho e tornozelo. O trabalho em prancha de equilíbrio também é importante para reeducar a função proprioceptora. O paciente pode ser ensinado a ficar em pé em uma perna por 3-4 minutos em casa, com postura corrigida do membro.

A reeducação da marcha pode incluir instruções para o paciente dar passos ligeiramente menores, de modo que haja um movimento de quadril relativamente menos durante a fase de apoio. A bengala pode ser necessária para aliviar a carga e a dor (onde há apenas um membro afetado), de modo que o padrão de marcha possa ser suave.

 

  1. Minimização da Deformidade: é obtida educando-se o paciente quanto ao mecanismo de      desenvolvimento da deformidade e há importância do exercício e da boa postura. Ainda, o   paciente deve evitar ficar sentado durante muitas horas continuamente, se aos quadris e os   joelhos são afetados. É bom ficar em pé e dar voltas, sentando a cada 20-30 minutos.

 

  1. Sentido da Posição: a má postura provoca tensões e desequilíbrio muscular, que predispõem  a alterações na osteoartrose. Por exemplo, uma inclinação pélvica para a frente tende a estirar os extensores do quadril e encurtar os flexores. Os ombros arredondados resultam em alongamento dos retratores da cintura escapular e dos rotadores laterais com encurtamento dos grupos musculares opostos, especialmente os peitorais. O hábito de ficar em pé apoiando mais peso corporal em uma perna que na outra causa encurtamento dos abdutores do quadril do lado favorecido e pode estar associado com o enrijecimento do trato iliotibial. A instrução referente a uma postura equilibrada em pé, sentado, de relaxamento e deitado é essencial.

 

 

      8. Conselhos para os Pacientes:

 

-          Andar é bom para a lubrificação e nutrição: ande um pouco por dia dentro dos limites da dor. Usar menos auxiliares para andar, de modo a  aliviar a dor e a pressão e ajudar o equilíbrio.

-          Descansar 5-10 minutos a cada hora, mas evitar ficar em uma posição por mais de uma hora. Se não for possível, praticar exercícios de contração muscular isométrica com frequência.

-          Exercitar diariamente.

-          Pesar-se regularmente.

-          Evitar sentar de pernas cruzadas para evitar deformidade. Não sentar ou deitar com travesseiro sob os joelhos.

-          Evitar provocar uma distensão repentina nas articulações, como levantar coisas pesadas.

-          Fazer um pouco de serviço doméstico por dia.

-          Na estação fria, agasalhar-se bem.

-          Usar bolsa de água quente para dor porque é mais segura e pode ser moldada à região.

-          Embora não haja cura, os efeitos da osteoartrose podem ser minimizados, de acordo com que a capacidade funcional possa ser mantida. Os pacientes às vezes precisam ser lembrados que a osteoartrose não é uma artrite reumatóide incapacitante.

 

 

      9. Manutenção da Função: Como já explicado, isto é obtido pelo paciente após um programa de exercícios, repouso e dieta.

 

 

 

TERAPIAS E TRATAMENTOS ALTERNATIVOS

 

  • Alterações Ocupacionais: à partir da confirmação de diagnóstico de Osteoartrite, pacientes devem ser orientados à reduzir a descarga de peso nas articulações afetadas, uma vez que a contínua pressão é um fator que incrementa a velocidade de deteriorização. Programas de ginástica laboral e adaptações no ambiente de trabalho resultando em menor “choque” articular podem ser providenciais.

 

  • Atividades Físicas dirigidas: os melhores exemplos de exercícios são técnicas de Yoga e Tai-Chi, pois ambos focalizam a flexibilidade, manutenção do trofismo muscular, equilíbrio e respiração otimizada. São ideais também por serem caracterizadas por baixos níveis de Stress, ajudarem a reduzir a pressão sanguínea e possuírem efeitos benéficos aos níveis de colesterol plasmáticos.

 

  • Terapias de reposição hormonal: é conhecida a proteção pós-menopausa contra osteoporose advinda da terapia de reposição. Seu efeito na Osteoartrite é questionável, não sendo unânime sua proteção reportada por diferentes estudos.

 

  • Acupuntura: é utilizada na produção de analgesia em portadores de osteoartrose com sucesso. Desencadeia uma diminuição de dor por períodos maiores aos da eletroterapia (TENS), é uma técnica segura e certamente benéfica aos bons respondedores à acupuntura. 

 

 

Talita Castelani

Coordenadora Geral

Equipe Home & Health Reabilitação

 

 

publicado por Equipe Home and Health Reabilitação às 02:03

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