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Setembro 12 2011

A doença de Osgood-Schlatter (DOS) é uma das causas mais comuns de dor do joelho em adolescentes. É comum em atletas jovens que praticam atividades que envolvem corrida, chutes e saltos. O principal sintoma é dor no joelho, mais exatamente abaixo da patela que surge durante ou após a atividade física e, tipicamente, melhora com o repouso. Os pacientes apresentam dor e edema no tubérculo tibial (sendo portanto uma doença extra-articular). Os movimentos do joelho não são afetados.

 

 

FISIOPATOLOGIA

 

Em 1903, o ortopedista norte-americano Robert Osgood, e o cirurgião suíço Carl Schlatter, publicaram quase que simultaneamente trabalhos independentes que descreviam a possível patofisiologia da doença que foi batizada com seus nomes.

A DOS é uma apofisite, mais comumente diagnosticada em atletas jovens, ligados a esportes que envolvem corridas e saltos, tais como futebol, basketball, dança e ginástica. Afeta geralmente meninos na faixa de 10-15 anos, e meninas entre 8-13 anos, coincidindo com estirão de crescimento.

Nesta fase, o crescimento ósseo é mais rápido do que o de tecidos moles, resultando em encurtamento muscular ao redor da articulação com perda da flexibilidade. Sob estas circunstâncias, o stress mecânico da contração do quadríceps pode resultar em avulsão parcial do centro de ossificação.

Eventualmente ocorre formação óssea heterotópica no tendão próximo à sua inserção, produzindo uma calosidade visível. Aproximadamente 25% dos pacientes tem lesão bilateral.

 

A dor é geralmente a queixa principal. A dor pode ser reproduzida pela extensão do joelho contra resistência, ou agachamento com flexão total do joelho.

Correr, Saltar, ajoelhar e subir/descer escadas pioram a dor. Alívio dos sintomas ocorre com repouso.

Durante a inspeção pode-se observar a presença de edema sobre a tuberosidade tibial anterior, dor à palpação da tuberosidade tibial e tendão patelar podem estar presentes. A dor é reproduzida por extensão do joelho contra resistência.

A avaliação dos movimentos articulares é geralmente normal, alguns pacientes podem apresentar hipotrofia de quadríceps.

 

 

ANAMNESE

 

O primeiro passo é determinar o nível de atividade física do paciente (que esportes pratica, freqüência, duração e intensidade), se o início dos sintomas está relacionado à atividade física intensa ou mecanismos traumáticos de repetição. Este questionamento pode revelar alguns fatores predisponentes. Um outro ponto importante é a idade e mudanças na altura e peso nos últimos meses, como forma de identificar um estirão de crescimento recente.

Lesões ocorridas sem uma mudança óbvia na rotina de treinamento podem estar relacionadas à mudanças musculoesqueléticas causadas por este estirão. As lesões anteriores também devem ser pesquisadas.

O paciente deve também descrever a localização e as características da dor em relação à atividades específicas, movimentos e posturas e em que momentos a dor surge/piora durante a atividade física. Isto poderá ser usado para monitorar o progresso do tratamento.

 

Achados Radiográficos: Observar a formação de uma calosidade

óssea anormal junto da epífise de crescimento

 

EXAME FÍSICO

 

A primeira parte do exame físico é a palpação do tubérculo tibial e musculatura ao redor.

Em relação à musculatura, vale a pena a busca por pontos-gatilho miofasciais, os quais obviamente não são a causa da DOS, mas podem contribuir nos sintomas álgicos.

Com a palpação também deve ser observada a presença de calor (pode indicar inflamação do tendão patelar), o volume e a consistência do edema e também o volume da ossificação heterotópica.

O próximo passo é avaliar o comprimento muscular de quadríceps (teste de Thomas), isquiotibiais, gastrôcnemio/soleo (pela ADM ativa e passiva), flexores de quadril (novamente teste de Thomas), banda íliotibial (teste de Ober) e não esquecendo da rotação interna/externa do quadril (perda da ADM de rotadores é associada com alterações do ângulo-Q, o qual afeta diretamente a biomecânica normal do joelho).

Deve-se também analisar a marcha, a posição da patela, sinais de hipotrofia muscular, e limitações do arco de movimento.

 

Finalmente os testes funcionais, os quais vão determinar a gravidade dos sintomas e poderão ser utilizados para avaliar o progresso do tratamento.

1. Existe dor na extensão ou flexão total de joelho nas ADMs ativa, passiva e resistida?

2. Os joelhos e quadríceps. São similares em força e tamanho?

3. O paciente é capaz de correr em linha reta sem dor?

4. O paciente é capaz de realizar uma corrida de arrancada sem dor?

5. O paciente é capaz de fazer uma corrida com giro de 45º sem dor?

6. O paciente é capaz de fazer uma corrida com giro de 90º sem dor?

7. Capacidade de fazer uma corrida em 8 sem dor ou desconforto?

8. O paciente é capaz de saltar com os dois pés ou com o o membro afetado sem dor?

9. O paciente é capaz de subir e descer escadas sem dor?

10. O paciente é capaz de fazer agachamento sem dor? 

 

 

TRATAMENTO

 

Existem algumas abordagens bastante úteis para o tratamento da DOS. Podem ser usados: Acupuntura, Hidroterapia, Bandagem Funcional e Eletroterapia. No entanto, em meio a tantas possibilidades, três condutas são unanimidade: Repouso, Gelo e Alongamento.


Recomenda-se interromper, ou pelo menos reduzir as atividades físicas que causem dor por um período de 4-8 semanas, assim como crioterapia regular por 20 minutos várias vezes ao dia. Se o repouso não for possível (talvez você esteja tratando um atleta de alto nível que NÃO pode ficar sem treinar por tanto tempo), então o recomendável é o uso de bandagem ou um brace infrapatelar durante o treinamento, assim como compressa de gelo durante 20 minutos imediatamente antes e imediatamente após a atividade física, além de prosseguir com a crioterapia várias vezes ao longo do dia. Naturalmente o paciente também deve fazer uso dos antiinflamatórios prescritos pelo médico. 

 

 

Brace Infrapatelar

 

Um programa de alongamento de isquiotibiais, quadríceps e dos flexores de quadril deve ser iniciado. O alongamento do quadríceps é essencial, visto que o aumento do seu comprimento muscular irá reduzir a tensão aplicada sobre a inserção do tendão patelar na tuberosidade tibial. Estes alongamentos devem ser bilaterais para evitar desequilíbrio muscular e para prevenir o desenvolvimento da DOS no membro contralateral.

Ainda não há comprovação se energia muscular é superior a contrair-relaxar ou ao o estiramento mantido. Sendo assim, a escolha da técnica é do terapeuta. Os objetivos iniciais do tratamento são o alívio da dor e da inflamação.

O retorno à atividade esportiva é avaliada de acordo com os testes funcionais, os quais podem e devem ser realizados periodicamente. O uso de certas atividades específicas do esporte do paciente também são uma boa forma de avaliar a recuperação (atenção para avaliar de uma forma progressiva, do mais fácil para o mais difícil.

Ex: avaliar a presença de dor durante o salto de um jogador de Voley pedindo para o paciente saltar baixo, evoluindo para um salto alto e terminando com uma corrida seguida de salto simulando uma cortada. Se o paciente for capaz de realizar os testes funcionais e as atividades específicas com força total e de forma agressiva como tem de ser numa partida, sem medo de lesão ou dor, então o paciente já pode retornar totalmente aos treinos e mesmo competições.

 

Fontes:

http://fisioterapiahumberto.blogspot.com

http://www.blackbookdopina.net

 

Talita Castelani

Coordenadora Geral

Equipe Home & Health Reabilitação

publicado por Equipe Home and Health Reabilitação às 02:30

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